Quando o que nunca vi passa a ser mais importante que o que vejo todos os dias, a curiosidade ganha força e a aventura é quase inevitável…
Um avô pode perceber que o neto se farte das proibições, dos dias sempre iguais, de estar sempre sozinho, de só viajar na imaginação e que queira “saltar o muro”. Mas um avô também sabe que “aqui tudo é seguro, tudo é tranquilo” ao passo que, “do outro lado”, nem todos os lobos estão na serra. Até porque desses já há poucos…
Num ambiente inesperado, três atores dão corpo(s) a estas três realidades: alguém que se aproxima do fim e que quer proteger o que está à sua guarda; alguém que inicia o percurso com uma curiosidade cada vez maior; e as transformações, inevitáveis e irreversíveis, que fazem parte daquilo que somos.
A partir de “Pedro e o Lobo” de S. Prokofiev e de ateliês com crianças e idosos, “Há lobos sem ser na Serra” brinca com a linguagem e os códigos teatrais. Tudo para contar uma história que, fugindo ao certo e errado, fala de medo, amor, descoberta e transgressão numa relação entre um avô, um neto e uma ameaça que podia muito bem ter a forma de um lobo.
A partir de “Pedro e o Lobo” de S. Prokofiev
Ideia e conceção geral Marco Ferreira
Interpretação Filipe Seixas, Rodrigo Martins e Vânia Silva
Cenografia e figurinos Bruno Guerra
Desenho de Luz Paulo Troncão
M/6
45 min

O espetáculo retrata um dia na vida duma empresa muito caricata, "A Fábrica de Sons". A empresa, de cariz familiar é gerida pelo casal Juleu e Rometa. O eterno desafio destes profissionais do som reside em "inventar novos sons para a humanidade". A empresa é contratada por todo o tipo de pessoas: músicos, luthiers, disc-jokeys e outros agentes da área da música, mas também empresários das mais distintas áreas, interessados em desenvolver novas sonoridades para os produtos que comercializam. Porém, quando um empresário do ramo dos autoclismos, Mr Sanita, contrata a empresa a fim de implementar nos seus produtos um som agradável e original, a situação complica-se...
Encenação Andreia Barão, David Cruz e Estela Lopes
Dramaturgia, Interpretação e Canções Andreia Barão e David Cruz
Cenografia Cerci Penela
Figurinos Cristina Câmara Pestana
Desenho de Luz David Cruz
Operação Técnica Estela Lopes
M/6
60 min.
Eis a Salta-Pocinhas, “raposeta pintalegreta, senhora de muita treta”, mestre de ladinas artes. Ao longo da história, vai levando todos na cantiga, só para encher a barriga. Os anos vão passando, e ela, farsante, sempre muito trapaceira, não cessa de enganar fulano, sicrano e beltrano até ao fim dos seus dias…
Texto Aquilino Ribeiro
Dramaturgia e Encenação Luiz Oliveira
Interpretação Faria Martins, Luiz Oliveira, Patrícia Ferreira, Sophia Cunha e Vítor Fernandes
Desenho de Luz Nuno Tomás
M/4
50 min
A Lenda do Menino da Gralha

Um capitão vivia no Forte da Ilha do Pessegueiro com um grupo de soldados. Tinha a seu cargo a defesa da fortaleza e o treino dos militares. Sonhava fazer do seu filho, uma criança de 8 anos, um grande guerreiro, corajoso, forte e destemido. Porém o menino detestava as armas e fugia aos treinos a que o pai o submetia. Gostava muito de brincar e tinha um coração bondoso. Afeiçoou-se de tal maneira a uma gralha, que esta se tornou o seu passatempo favorito. O pai, enfurecido por causa do seu desinteresse pelas artes da guerra, ameaçou-o de matar a gralha se ele não deixasse de brincar com ela. Então uma noite, quando todos dormiam, o menino e a sua amiga gralha resolveram fugir da ilha…
A narrativa, auxiliada na sua interpretação por marionetas de varas, define-se através de uma linguagem de grande visualidade, ambiente onírico e poesia, passível de ser compreendida por todos os públicos.
Texto e Encenação Julieta Aurora Santos
Interpretação, Manipulação e Bonecos Sandra Santos, Carlos Campos, Luís João Mosteias e Sérgio Vieira
Cenografia e Adereços João Calvário
Figurinos Sandra Santos
Música Zé Dado
Iluminação Hugo Custódio
Operação de Som Artur Chainho
Todas as Idades
35 min.
Concerto de Encerramento Teatro no Inverno
Migna Mala

Migna Mala é um coletivo composto por indivíduos provenientes de diferentes áreas profissionais, nomeadamente a multimédia, as artes plásticas, o teatro, a naturopatia e a música. Fizeram a sua primeira apresentação em fevereiro de 2009 no âmbito do 5.55”, evento que lhes deu a oportunidade de realizar em dezembro desse mesmo ano um espetáculo produzido pelo CAPa - Centro de Artes Performativas do Algarve, fruto de uma residência artística que aí decorreu. Uma das suas principais características é a ausência de sentido literal nas letras, sendo estas marcadas por uma conjugação de fonemas cantados, numa espécie de arqueologia linguística onde impera uma amálgama referencial de espaços e lugares reais ou imaginários em busca de novos sentidos. Os limites da linguagem e a música como um instrumento quase terapêutico recriam uma ligação primordial ao rito, remetendo o espectador para um qualquer sistema de crenças, que definem um outro modo de percecionar o mundo.
Migna Mala é a palavra á procura de sentido sobre o manto da significação musical.
Os Migna Mala são Daniel, João Beles, José Mendonça, Nuno Murta e Paulo Machado
Conversa com Luís Varela
TEATRO E SOCIEDADE
Existem sociedades sem teatro e não é certo que sejam menos felizes que a “nossa”.
Mas na “nossa” sociedade a falta de teatro seria sempre um sinal alarmante de degenerescência, de miséria cívica e moral.
As pergunta que devem ser formuladas em permanência são «Para que querem as cidades um teatro? Para que querem os homens o teatro?». Só formulá-las já é um passo de gigante para a regeneração. Dar-lhe uma resposta útil é quase assegurar que não destruiremos o frágil mundo em que vivemos.
Luís Varela, e
ncenador. Nasce em Lisboa em 1950. Estudos de Teatro (Régie – Mise en scène) na École Supérieure d’Art Dramatique du Théâtre National de Strasbourg entre 1970 e 1974 – bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Maîtrise d’Études Théâtrales na Université de la Sorbonne Nouvelle – Paris III concluída em 1995. Membro da equipa fundadora do Centro Cultural de Évora, posterior Centro Dramático de Évora, CENDREV: encenador e diretor da Escola de Formação Teatral, de 1975 a 97. Professor do Departamento de Artes Cénicas da Universidade de Évora. Monta peças de autores clássicos e contemporâneos: Gil Vicente, Garrett, Molière, Marivaux, Kleist, Turrini, Bond, Vinaver…
Conversa com Jorge Louraço Figueira
Crítica e Dramaturgia Portuguesas
Em Portugal, a crítica teatral na imprensa não tem muitos praticantes e a dramaturgia original pouco mais. Nesta conversa tentarei traçar um panorama desses dois campos de atuação, assinalando linhas de força e especulando sobre o futuro, a partir da minha experiência como crítico (desde 2006) e autor (desde 2001), e da observação dos meios teatrais de Lisboa e Porto.
Jorge Louraço Figueira, crítico e dramaturgo. Escreveu “O Espantalho Teso” e “Xmas qd Kiseres”, entre outras peças e guiões de teatro. Formado em relações internacionais e em antropologia social, fez a Oficina de Escrita Teatral de António Mercado no Dramat (Teatro Nacional de São João, Porto); o Seminário Traverse Theatre nos Artistas Unidos, em Lisboa; a Residência Internacional do Royal Court Theatre, em Londres; e o Seminário de Escrita Teatral de J. S. Sinisterra no Teatro Nacional Dona Maria II, em Lisboa. É docente da ESAP, da ESMAE e do Balleteatro, no Porto, e crítico de teatro do jornal Público. Escreveu também “Verás que tudo é verdade”, sobre o grupo de teatro Folias, de São Paulo, Brasil. Foi nomeado para o prémio de melhor dramaturgia da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo trabalho realizado em «Êxodos» (produção Folias, 2010).
As Duas Viagens de Jaques Lecoq (Documentário)
Jacques Lecoq nasceu em 1921 em Paris, França. Em 1937 inicia os estudos em Educação Física, disciplina que chegou a lecionar e a qual lhe permitiu, um dia mais tarde, o contacto com Jean-Marie Conty, amigo de Artaud e Jean-Louis Barrault. O contacto com o teatro estava feito! Em 1945 começa a representar e funda, com Gabriel Cougin, um grupo dramático, sendo depois contratado por Jean Dasté para a Companhia Comédiens de Grenoble. O facto de ter estado oito anos em Itália permitiu-lhe o contacto direto com as técnicas da commedia dell’arte e uma viagem profunda das máscaras, na procura da mais neutra de todas. Junta-se a Strehler e a Grassi para a inauguração da escola do Teatro Piccolo de Milão. Torna-se encenador e coreógrafo e explora meticulosamente novas formas de expressão corporal para música contemporânea, ópera, ou mesmo para os coros da tragédia grega. Funda em 1956 a École Internationale de Théâtre. Corre o mundo como professor, orador e conferencista para espalhar e explicar a paixão com que viveu sempre o teatro e o corpo no teatro. Morreu em 1999, deixando marcas profundas na História do Teatro e uma herança abraçada por muitos. Lecoq ficou associado ao teatro físico, o seu método tocava em áreas como a mímica, a dança contemporânea, a acrobacia, a técnica de clown, o movimento em geral. O corpo é o ponto de partida, a matriz principal do conhecimento.
Realização Jean-Noël Roy e Jean-Gabriel Carasso
Documentário
França, 2006
175 min.
(legendado em português)
Estamos em Inglaterra, no coração do Condado de Yorkshire, na cidade de Hutton Buscel. Como em todas as cidades há uma igreja, um cemitério, um restaurante Indiano e uma escola. O diretor da escola chama-se Toby Teasdale e a sua assistente Irene Pridworthy. Toby é casado com Célia, a filha de Josephine Hamilton, conhecida pela sua discrição. O melhor amigo de Toby é Miles Coombes, um influente membro do Conselho de Diretores. A sua mulher, Rowena Coombes é uma apaixonada por squash e é dela que toda a cidade fala. Lionel Heppiewick cuida da escola, é filho de Joe Heppiewick, o poeta oficial da cidade. Finalmente, Sylvie Bell trabalha para os Teasdale. Estamos no início do verão. Célia Teasdale encontra-se a meio de uma grande limpeza. Entra no jardim, encosta-se e os olhos fixam um maço de cigarros. Hesita. Cede à tentação ou não?
Realização Alain Resnais
Nos papéis de Celia Teasdale, Sylvie Bell, Irene Pridworthy: SABINE AZÉMA
Nos papéis de Toby Teasdele, Miles Coombes, Joe Hepplewick e Lionel Happlewick: PIERRE ARDITI
Ficção, Comédia
França, 1993
M/12
140 min
(legendado em português)
“Uma obra-prima absoluta”
R. S., Jornal de Letras
“Um filme prodigioso”
J.L.R., Expresso
“Verdadeiro paraíso para o espectador”
J.A., Diário de Notícias
“Um das mais extraordinárias obras do cinema contemporâneo”
A.M.S., Público
Realização Alain Resnais
Adaptação e Diálogos Jean- Pierre Cacri e Agnès Jaoui
Nos papéis de Celia Teasdale, Rowena Coombes, Sylvie Bell, Irene Pridworthy e Josephine Hamilton: SABINE AZÉMA
Nos papéis de Toby Teasdele, Miles Coombes, e Lionel Happlewick: PIERRE ARDITI
Narrador Peter Hudson
Décors Jacques Saulnier
Música John Pattison
Ficção, Comédia
França, 1993
M/12
145 min (legendado em português)
Adeus Minha Concubina de Kaige Chen
Aclamado pela crítica internacional como um dos melhores filmes de 1993, esta sedutora e triunfante obra, vencedora de diversos prémios, cativou os cinéfilos de todo o mundo. É a inesquecível história de dois amigos envolvidos inesperadamente num apaixonante triângulo amoroso, com uma mulher que se interpôs entre ambos. Nomeado para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro de 1993, "Adeus, Minha Concubina" foi vencedor do Globo de Ouro para o melhor filme em Língua Estrangeira, assim como teve a honra de ser considerado o Melhor Filme do prestigiado Festival de Cinema de Cannes. Repleto de intensas e provocativas imagens do princípio ao fim, esta sensual e exótica história de amor e traição é um filme que não se deve deixar de ver ou rever.
Realizador Kaige Chen
Argumento Pik Wah Li
Interpretação Leslie Cheung, Fengyi Zhang, Li Gong, Qi Lü, Da Ying…
Ficção, Drama
China | Hong Kong, 1993
M/12
171 min
(legendado em português)
Oficinas de Formação
CORPO E MOVIMENTO
Vamos trabalhar a expressão e a consciência corporal de modo a mexer o corpo para descobrir os movimentos e gestos naturais e expressivos de cada participante, tudo elaborado através de jogos, técnicas de dança e de teatro. Vamos descobrir as emoções no movimento e no trabalho corporal, através de jogos lúdicos, e fazer com que as emoções escondidas nas articulações e nos músculos se soltem e se ampliem, de maneira a mostrar a sua expressão no espaço. Trabalharemos também a dinâmica e as qualidades contidas nos nossos movimentos.
Rita Alves formou-se em dança e teatro na Universidade de São Paulo, Brasil. Trabalhou com coreógrafos e encenadores de renome no mundo todo. Fez especializações em dança contemporânea na França e no Japão.
SLAPSTICK E A COMÉDIA BURLESCA
Esta oficina destina-se ao estudo de regras e conceitos da comédia burlesca e está dividida em três partes fundamentais:
- Padrões de queda: Análise e exploração de diferentes sequências padrão de quedas e saudável relacionamento entre corpo e solo.
- Manipulação e jogo com adereços: Jogo e pesquisa de possibilidades cómicas entre ator e adereço e da forma como este último ganha vida própria.
- Equilíbrio e desequilíbrio de situações: Improvisação com base em situações de grande formalidade e comportamentos padrão “automáticos” com consequente desequilíbrio provocado por um elemento exterior em contratempo.
Bruno Martins. Ator e Encenador. Formado na Academia Contemporânea do Espetáculo, Porto. Diplomado pela Ecole International de Théâtre Jacques Lecoq, Paris. Frequentou várias oficinas de Palhaço e de Máscara. Como ator participou em diversas produções teatrais em Portugal, França e Bulgária.
BRINCANDO AO TEATRO
(para crianças)
Proponho mais um desafio: vamo-nos conhecer, brincar, trabalhar, ter ideias, experimentá-las, e montar um espetáculo à nossa maneira! Vamos arregaçar as mangas e brincar ao teatro! ‘Bora?
Patrícia Amaral. Fez o curso de Formação de Atores, Técnicos e Animadores Teatrais (ACTA, 2004). Licenciada em Estudos Portugueses (Universidade do Algarve, 1999). Atriz e Contadora de Histórias. Encenou “O Livro em Branco” no VATe e “Eu hei de crescer e depois tu vais ver” no AL-MaSRAH, ambos espetáculos para a infância. Monitora de oficinas de expressão teatral para crianças, adolescentes e adultos desde 2003.