Reflexão filosófica: "A Metamorfose”, de Franz Kafka


Gregor Samsa, a personagem principal, é um caixeiro-viajante que vive para trabalhar e pagar as dívidas dos seus pais... Um dia ele acorda sentindo-se incapaz de se levantar. Quando a família e o seu chefe lhe ordenam a abertura da porta, Gregor sofre uma metamorfose, transformando-se num inseto nojento e inútil. Mas o que significará esta transformação? Entendo-a como o resultado da necessidade de isolamento ou de fuga e assim o protagonista sentia-se reconfortado em não ter compromissos para com a família, trabalho e sociedade. Transformando-se numa barata, alcança uma vingança surda e imunda. De certo modo essa situação metamórfica impede Gregor de expressar os seus sentimentos, toda a sua raiva e indignação, seja contra a família, que o trata como escravo, seja contra o patrão que o oprime, ou a sociedade em geral, que o sufoca.



Gregor, embora fechado no seu quarto como inseto, continua a pensar e a agir como ser humano. Os pais tiveram que arranjar trabalho e a sua irmã mais nova, Grete de 17 anos, que sonha ser violinista teve que se empregar numa firma, pois Gregor, até aí, era quem sustentava a família, dando-lhes a possibilidade de se alimentarem bem, sem trabalharem. Todos os dias Grete arranjava ao Gregor comida, adaptada ao seu gosto, restos dos almoços e jantares que sobravam. À medida que o tempo passa, Gregor vai sendo mal tratado e esquecido pela sua família, a qual se quer ver livre desse peso pesado. O Senhor Samsa para se livrar daquilo que causa vergonha à família atirou uma maçã a Gregor, o que lhe causou um grave ferimento nas costas. Porém, a mais cruel foi a sua irmã, quando cansada de viver, escondendo o inseto, sugere ao pai livrar-se dele. Quando o inseto asqueroso morre e a empregada o encontra e informa a família, todos fazem as “suas arrumações “ na vida. Fazem um passeio, descobrem que a vida é bela e fantástica, decidem comprar um novo apartamento, mais pequeno, num bairro mais agradável. Já não sentem a perda do Gregor. Constroem planos para o futuro!




Da leitura desta obra concluí que quem sofre uma metamorfose não é o Gregor, mas sim a sociedade, no dia a dia... Gregor, visto como um inseto pela sociedade, é rejeitado por não ser um deles. Mas na verdade o que acontece é que o Gregor foi sempre um inseto quando trabalhava que nem um escravo, todos dias rejeitava os seus sonhos, não os realizava. Apenas pensava que os queria realizar, mas chegou um dia em que se apercebeu da realidade, transformando-se numa barata, foge à vida que não quer ter, nem ser igual a todos. Foi com a sua metamorfose e correspondente sacrifício, que ajudou a família a mudar de vida e a encontrar a felicidade. Ao transformar-se num inseto inútil a família foi à procura de trabalho, a irmã voltou a tocar violino, o que mais gostava de fazer, passaram a ser a verdadeira família unida, de pai, mãe e filha. Afinal, Gregor fez com que a família saísse à rua e visse o que é o “sol da vida!”. O que é a felicidade! Quem sofre a metamorfose no dia a dia é a sociedade. Todos os dias acumula sujidade em si, hipocrisia, angústia e desprezo, dizendo que se vão realizar os sonhos, porém na verdade, não passa disso, de sonhos! Não se faz nada para mudar, vive-se o dia a dia “rastejando”, dominados pelas obrigações, sem qualquer liberdade.

Angela Kurakova, 11ºE, nº7

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KAFKA, Franz, A metamorfose , trad. João Crisóstomo Gasco, Porto : Público, 2002  (Mil folhas ; 30) ISBN: 84-8130-561-8